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quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Caderno de Plantas Medicinais - Capital/SP: espécies selecionadas para implantação

Descrição das 8 espécies que começarão a ser implantadas nas Unidades de Saúde (descrição  das plantas de acordo com a RDC/ ANVISA nº 10, 09/03/10 - Notificação de drogas vegetais)
1. AÇAFRÃO (Curcuma longa)
Modo de crescimento: erva perene
Parte usada/colheita: raízes (rizomas)
Propriedades terapêuticas: dispepsia e anti-inflamatório
Modo de usar: decocção para uso interno - utilizar 3 colheres de café da raiz ralada (1,5 g.) em 150 ml (1 xíc. chá) de água, de 1 - 2 vezes por dia.
Contra indicações: não deve ser usado por pessoas portadoras de obstrução de ductos biliares e em caso de úlcera gastroduodenal. Em casos de cálculos biliares somente sob avaliação médica. Não deve ser usado com anticoagulantes.
2. BOLDO BRASILEIRO (Plectranthus barbatus, Andrews)
Modo de crescimento: erva perene
Parte usada: folhas
Propriedades terapêuticas: dispepsias e hipotensão
Modo de usar: Infusão (chá) - colocar 1 - 3 colheres de chá de folhas picada (1-3 g) em 1 xíc. de chá de água fervente (150 ml). Tomar de 2-3 vezes por dia.
Contra indicações:  Não deve ser utilizado em gestantes, lactantes, crianças, pessoas com hipertensão, hepatites e obstrução das vias biliares. Pessoas que fazem uso de medicamentos para o sistema nervoso central devem evitar o uso. Doses acima do recomendado e usadas por um período de tempo maior podem causar irritação gástrica. Não usar junto com metronidazol ou dissulfiram.
3. CAPIM-SANTO OU CAPIM- LIMÃO (Cymbopogon citratus, Strapf.)
Modo de crescimento: herbácea perene
Parte usada/colheita: folhas adultas colhidas nas primeiras horas do dia.
Propriedades terapêuticas: calmante suave, quadros leves de ansiedade, insônia e cólicas intestinais e uterinas.
Modo de usar: Infusão com 1-3 colheres de chá de folhas picadas ( dar preferência à planta fresca) em 1 xíc. de chá de água fervente. Tomar 2-3 vezes ao dia.
Contra indicações: pode provocar gastrite e azia em pessoas sensíveis. Uso não recomendado para hipotensos. Pode aumentar o efeito de medicamentos sedativos.
4. GENGIBRE (Zinziber officinale, L.)
Modo de crescimento: herbácea perene
Parte usada/colheita: rizomas quando as folhas amarelecerem e secarem.
Propriedades terapêuticas: enjôos, náusea, vômitos (na gravidez, de movimento e pós-operatório), dispepsias em geral.
Modo de usar: Chá por decoção - 1-2 colheres de café do rizoma picado em 1 xíc. de chá de água: deixar ferver por 10 min., desligar o fogo e deixar em repouso por mais 10-15 min, coar em seguida. Tomar de 2-4 vezes por dia. Pode ser mastigado puro e/ou adicionado à comida.
Contra indicações: Em casos de cálculos biliares, utilizar apenas com acompanhamento de profissional de saúde. Evitar o uso em pacientes que estejam usando anticoagulantes, com desordens de coagulação, ou com cálculos biliares; irritação gástrica e hipertensão, especialmente em doses altas. Evitar o uso em menores de 6 anos.
5. GUACO (Mikania glomerata, Spreng)Modo de crescimento: arbusto trepador.
Parte usada/colheita: folhas adultas colhidas antes da floração.
Propriedades terapêuticas: gripes e resfriados, bronquites alérgicas e infecciosas, e como expectorante.
Modo de usar: Chá por infusão - 1 colher de sopa de folhas cortadas em pequenos pedaços em 1 xíc. de chá de água fervente. Tomar  3 vezes ao dia.
Contra indicações: Evitar o uso prolongado pois podem ocorrer acidentes hemorrágicos pela presença da cumarina, que tem ação antagônica com a vit. K, e não deve ser usada por pessoas com problemas de coagulação ou doenças hepáticas crônicas . Recomenda-se o uso por no máximo 100 dias. Pode provocar aumento de fluxo menstrual em mulheres com menstruação abundante. Doses acima da recomendada podem provocar vômitos e diarréia. Pode interagir com antiinflamatórios não-esteroidais.
6. HORTELÃ PIMENTA (Mentha X piperita)
Modo de crescimento: herbácea perene.
Parte usada/colheita: folhas e sumidades floridas/ folhas adultas colhidas pela manhã e no início do florescimento.
Propriedades terapêuticas: cólicas, flatulência, problemas hepáticos.
Modo de usar: Chá por infusão - 3 colheres de chá  da erva em 1 xíc. de chá de água fervente. Tomar de 2-4 vezes por dia.
Contra indicações:  crianças em lactação e gestantes. Não deve ser utilizado em casos de obstruções biliares e danos hepáticos severos. Na presença de cálculos biliares consultar o médico antes de usar. Causa aumento do efeito estrogênico quando consumido junto a medicamentos com essa substância.
7. QUEBRA-PEDRA (Phyllanthus niruri, L.)
Modo de crescimento: erva ruderal.
Parte usada/colheita: folhas e sumidades floridas/ folhas adultas colhidas pela manhã e no início do florescimento.
Propriedades terapêuticas: cólicas, flatulência, problemas hepáticos.
Modo de usar: Chá por infusão - 3 colheres de chá da erva em 1 xíc. de chá de água fervente. Tomar de 2-4 vezes por dia.
Contra indicações: Não indicado na eliminação de cálculos grandes. Não utilizar na gravidez. Em concentrações acima da recomendada pode provocar diarréia e hipotensão. Nunca utilizar por mais de 3 semanas.
8. ERVA BALEEIRA (Cordia verbenacea)
Modo de crescimento: arbusto.
Parte usada/colheita: folhas.
Propriedades terapêuticas: anti-inflamatória, analgésica, contra nevralgias e dores musculares.
Modo de usar: Chá por infusão - 1 colher de sopa de folhas picadas  em 1 xíc. de chá de água . Tomar de 1-3 vezes por dia.
Contra indicações: sem referências bibliográficas.

Referência: Caderno de Plantas Medicinais - SMS/ Subprefeituras/SVMA, 2010.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Oficina - Confraria de Mulheres

Fitoterápicos para uso em doenças do sistema digestório

1. Patologias da boca e orofaringe:
a) Espécies demulcentes: Folhas de malva (Malva sylvestris); Raízes de altéia (Altheia officinalis); Frutos de tanchagem (Plantago sp); Mucilagens isoladas (ágar): gargarejo várias vezes ao dia em extratos aquosos ou hidroalcoólicos.
Matricaria recutita - camomila
 b) Espécies antiinflamatórias: Matricaria recutita – camomila; Arnica montana – arnica; Zingiber officinale – gengibre; própolis solução hidroalcoólica; Sprays com mel.
Obs: a arnica é tóxica para uso interno e pode causar alergias quando usada em tinturas sem diluição.
Alcaçuz – uso em aftas e úlceras em boca. Cuidado com quantidade: glicirrizina é hipertensor.
c) Espécies adstringentes: Guaçatonga – Casearia sylvestris; Rosa branca – pétalas de Rosa sp; Barbatimão – cascas de S. adstringens; Cascas da romã – Punica granatum; Aroeira – cascas de Schinus terebenthifolius.


2. “Digestivos”:
a) Carminativos: ‘Ervas-doces’: funcho= Foeniculum vulgare; erva-doce = Pimpinella anisum - parte usada= frutos
Frutos da família Umbelliferae: condimentares, ricos em óleos essenciais de ação similar: funcho – Foeniculum vulgare e erva-doce (anis) – Pimpinela anisum; cominho – Cuminum ciminum; endro – Anethum graveolens; coentro – Coriandrum sativum; alcarávia (kummel) – Carum carvi : são carminativos, antiespasmódicos, digestivos, antimicrobianos.

b) Colerético/colagogos:
b.1) Cynara scolymus L.- Alcachofra (extrato das folhas) - muitos estudos comprovando o efeito colecinético e em dispepsias. Contra-indicado em colelitíases. Efeito importante no colesterol: semelhante a estatinas – bloqueio da HMG-Coa redutase.
b.2) Peumus boldo – boldo do Chile: importante efeito colecinético. Uso não indicado em crianças, grávidas e pacientes renais: presença de ascaridol e terpinen-4-ol . Uso não deve ser contínuo.

3. Hepatoprotetores:
Portaria SVS nº 90 e 91 de 1994 define o que é um produto hepatoprotetor.
- Frutos de Silybum marianum – cardo mariano:
Indicações comprovadas: doenças hepáticas induzidas por etanol; uso de drogas de abuso; emprego de medicamentos agressivos ao fígado (ex.: isoniazida e pirazinamida); pacientes submetidos a agentes tóxicos ambientais ou ocupacionais; doenças inflamatórias crônicas hepáticas; fibrose e cirrose hepática; antídoto para toxinas (ex. Amanita muscaria e A. phalloides.)

4. Antiácidos e antiúlceras:
Espécies com efeitos anti-úlcera: Alcaçuz -G. glabra- raízes; Aroeira - M. urundeuva - cascas do caule; Barbatimão - S. adstringens - cascas do caule; Gengibre- Zingiber officinale- rizomas; Guaçatonga - C. sylvestris –folhas; Copaíba - C. langsdorfii - óleo-resina.

Guaçatonga - Casearia sylvestris
  Espinheira-santa – Maytenus ilicifolia e M. aquifolium: efeito antiúlcera em vários modelos; efeito dose-dependente; promove aumento da secreção gástrica; promove aumento do pH gástrico (alcalinização); efeito por via oral como i.p. (ação sistêmica); Auxiliar como protetor gástrico em usuários crônicos de medicamentos agressivos à mucosa gástrica. Problema: adulteração com uso de outras espécies. Indicação de empresas e locais confiáveis.

Boldos brasileiros:
a) Coleus barbatus: redução da secreção ácida gástrica e proteção da mucosa; b) Vernonia condensata: efeitos anti-ulcerosos em modelos animais; também ações antiinflamatórias.

5- Anti-eméticos
Gengibre (Zingiber officinale) - modula a transmissão nervosa, do TGI ao SNC sinalizando o mal-estar que provoca o vômito; não apresenta efeitos colaterais ou riscos ao SNC. Estudos não mostram efeitos tóxicos na gestação.
6- Laxativos

Babosa - Aloe vera
 a) Fibras solúveis: Ágar-ágar; Psyllium – Plantago psyllium (frutos): similar à tanchagens nacionais; Goma guar: sementes de Cyamopsis tetragonolobus; Cascas de maracujá (pectinas); Sementes de linhaça – Linum usitatiss; Glucomanann – Amorphophalus konjac.
b) Laxantes antraquinônicos: Espécies principais: sene – folhas e frutos de Cassia alexandrina e outras espécies; cáscara sagrada – cascas de Rhamnus purshiana; ruibarbo – raízes de Rheum palmatum; babosa – folhas inteiras (‘resina’) de Aloe vera e outras espécies. Recomendações: indicar em constipação intestinal (máx. 4 sems.); não para emagrecimento; contra-indicar em infls. abdominais difusas (colites, Crohn, apendicite, etc); não usar em menores de 10 anos,  na gravidez, amamentação, hemorróidas; uso crônico leva à tolerância.
 
7- Antidiarrêicos
Espécies adstringentes, geralmente ricas em taninos - polifenóis que precipitam proteínas de mucosa; diminuem secreções; atuam sobre microorganismos; formam película de proteínas precipitadas; atuação em diarréias; e também em outras áreas ( exs.: cicatrização, queimaduras, hemorragias, etc).
Principal espécie antidarrêica: folhas jovens (brotos) de goiaba - Psidium guajava; Outros efeitos: relatos de leve efeito hipoglicemiante; não indicado para crianças, idosos e gestantes.
8- Antiespasmódicos: foco em espasmos da musculatura intestinal presentes em dispepsias e em outras situações. Hortelã - Mentha piperita L. – Labiatae: óleo de hortelã - Para tratamento sintomático da síndrome do intestino irritável. Complementares: outras desordens digestivas como flatulência e dispepsia não ulcerosa.

(Resumo a partir de aula do Prof. Dr.  Luis Marques, 2010) 

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Farinhas de feijão branco, de berinjela e de banana verde: que benefícios podem trazer para a saúde ?

1. FARINHA DE FEIJÃO BRANCO: a farinha crua desse feijão contém uma substância chamada faseolamina que pode diminuir a absorção dos carboidratos ingeridos na dieta, e possuem fibras que aumentam a sensação de saciedade. Mas as pesquisas realizadas até hoje não mostraram que o consumo dessa farinha tenha um efeito tão positivo na perda de peso. Além disso, os feijões crus contêm toxinas e antinutrientes que impedem a absorção de vários minerais essenciais para nossa saúde como ferro, zinco, cálcio, magnésio, entre outros. O uso em grandes quantidades pode provocar diarréia e gases.

2. FARINHA DE BERINJELA: como outros alimentos vegetais é uma boa fonte de fibras. Essas fibras aumentam a sensação de saciedade e por isso podem auxiliar no emagrecimento. Atua na diminuição do LDL colesterol, triglicérides e ácido úrico; melhora constipação intestinal como outras fibras desde que se consuma pelo menos 1 ½ litros de água por dia .

3. FARINHA DE BANANA VERDE: contém uma boa quantidade de amido resistente assim como feijão, ervilha, lentilha, milho e cevada. Esse amido não é absorvido e por isso promove o crescimento de bactérias benéficas que protegem o intestino contra doenças, além de ajudar a controlar os níveis de açúcar no corpo. Como outros tipos de fibras, aumentam a sensação de saciedade e regulam a função intestinal.

A farinha de banana verde pode ser usada em receitas em substituição a farinha: que é uma boa maneira de diminuir a quantidade de farinha branca na alimentação diária e aumentar a quantidade de fibras.

Como sempre não existem fórmulas mágicas!!!! Essas farinhas só poderão trazer algum benefício se estiverem inseridas em uma alimentação saudável e a prática de atividade física.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

CGPAN lança programa de cálculo de sódio nos alimentos

   A CGPAN- Coordenação-Geral de Políticas de Alimentação e Nutrição/MS criou um novo programa  para ajudar o consumidor  a calcular a quantidade de sódio presente nos alimentos e ingerida ao longo de todo o dia.
   O recurso permite calcular a quantidade de sal  que está sendo consuminda a partir de informações como a gramatura da porção e a quantidade de sódio da porção: podem ser incluídos mais de um alimento e quantas porções foram consumidas.
    Este cálculo e informações a respeito das diretrizes de consumo de sal estão em: http://nutricao.saude.gov.br/sodio.php 

OPINIÃO DA FEBRAPLAME SOBRE OS COMENTÁRIOS DO SR. DRAUZIO VARELLA NA IMPRENSA

Transcrevo abaixo o posicionamento da FEBRAPLAME - Federação  das  Associações  de  Pesquisa  com  Plantas  Medicinais sobre o assunto:
"A Febraplame – Federação das Associações de Pesquisa com Plantas Medicinais, composta pelas entidades Associação Brasileira de Fitoterapia; Associação Brasileira de Fitomedicina; Sociedade Botânica do Brasil; Sociedade Brasileira de Etnobotânica e Etnobiologia; Sociedade Brasileira de Farmacognosia; Sociedade Brasileira de Farmacologia e Terapêutica Experimental; Sociedade Brasileira de Horticultura; Sociedade Brasileira de Química; Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência e Sociedade Catarinense de Plantas Medicinais (representando cerca de 5000 pesquisadores das várias áreas da ciência), reunida em João Pessoa durante o XXI Simpósio de Plantas Medicinais do Brasil, evento que expressa 40 anos de pesquisa na área de plantas medicinais e que contou com cerca de 1700 participantes com 1400 trabalhos científicos apresentados, vem a público manifestar-se sobre o conteúdo de reportagens da Revista Época e programa Fantástico sobre o tema plantas medicinais e fitoterápicos, realizadas recentemente pelo Dr. Drauzio Varella:
1. O Dr. Drauzio Varella afirma, inicialmente, que o Ministério da Saúde propõe uma ‘medicina para pobres baseada em plantas que não tem atividade demonstrada cientificamente’. Desde sempre as entidades da área tem buscado evitar tal dilema, isto é, produtos para classes distintas, contribuindo de modos diversos para que todos os produtos tenham eficácia e segurança garantidas e possam ser usados por pacientes de todas as classes sociais. Portanto tal afirmação não corresponde à realidade e ao esforço e entendimento dos pesquisadores e entidades da área.
2. A afirmação de que a fitoterapia não tem atividade demonstrada cientificamente igualmente não tem fundamento e evidencia outro aspecto: a existência de modos diferentes de entender-se ‘demonstração científica’ (“Têm de ser submetidos ao mesmo escrutínio ao qual os remédios comuns são submetidos.”). Os entendimentos técnicos e legais da área definem que para uma substância totalmente nova na terapêutica, sejam fármacos sintéticos ou espécies vegetais, exigem-se todos os testes possíveis pré-clínicos e clínicos, visão expressa pelo Dr. Drauzio. No entanto, para espécies vegetais ampla e tradicionalmente usadas, ocorre flexibilização de requisitos, de modo a considerar-se o tempo documentado de uso como de valor em termos de expressão de segurança e eficácia (mínimo de 20 anos de uso no Brasil, e 30 anos ou mais é a regra considerada na Comunidade Européia).
3. Tal requisito, de fato distinto do modo clássico aplicado a fármacos sintéticos, tem base teórica expressa nos documentos da OMS desde os anos de 1980 (ex.: OMS. Pautas para la evaluacion de medicamentos herbarios. Ginebra, 1991), foi discutido e amadurecido por décadas no Brasil, foi incorporado progressivamente em normas legais brasileiras (exs.: RDC Anvisa 17 de 2004; RDC Anvisa 48 de 2004; RDC Anvisa 14 de 2010) e tem total sintonia com os padrões regulatórios internacionais, como ocorre na Alemanha, Itália, França, dentre inúmeros outros países. Portanto, a posição do Dr. Drauzio trata-se de uma visão parcial, ortodoxa, completamente desinformada frente ao que foi construído e estabelecido no Brasil em termos técnicos e legais.
4. As afirmações do Dr. Drauzio de que temos apenas testes in vitro é certamente uma falácia, demonstrando má intenção clara, cuja origem não se sabe mas pode ter viés político-eleitoral ou mesmo comercial, frente a algum possível segmento que se sinta incomodado em relação às perspectivas abertas com a oficialização da fitoterapia no SUS. Na verdade, os estudos nacionais têm progredido em todas as áreas, desde os iniciais passando por modelos animais, estudos químicos, de controle de qualidade, toxicológicos bem como clínicos. Nesta área clínica certamente há carências, decorrentes do desinteresse secular da ciência médica atual, bem como das dificuldades em patenteamento de fitoterápicos, o que desestimula o financiamento privado. Mas certamente temos diversos estudos clínicos com plantas brasileiras e espera-se que tais estudos proliferem progressivamente com o avanço da fitoterapia em vários níveis.
5. O Dr. Drauzio Varella demonstra claramente seu total desconhecimento sobre os aspectos regulatórios de medicamentos fitoterápicos no Brasil, ao afirmar que: “Eles são registrados na ANVISA como complemento alimentar”. Essa afirmação, além da ignorância no tema, confunde o entendimento de todo o trabalho que tem sido realizado, desde 1995, para a regulamentação dos medicamentos fitoterápicos no país. Desde então essa regulamentação vem sendo aperfeiçoada e atualmente é uma das melhores do mundo, superando inclusive a legislação dos EUA, país onde realmente os fitoterápicos são considerados suplementos alimentares, com venda livre em supermercados e não regulados pelo FDA.
Outras críticas pontuais têm sido feitas, tanto em relação a algumas Farmácias Vivas visitadas, bem como a indicações por profissionais não qualificados para tal, chegando-se também a sugerir que as indicações de alguns fitoterápicos não foram bem estabelecidas. Nesse grupo é possível alguma concordância, pois recentemente emitimos crítica à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde sobre a falta de abertura para seleção dos oito fitoterápicos recentemente introduzidos no SUS e mesmo das 71 espécies da RENISUS. E de fato problemas têm ocorrido, os quais podem e devem ser corrigidos e aperfeiçoados visando a adequada implantação da fitoterapia no SUS. No entanto, nada disso permite ou justifica a implosão de todo um conjunto de possibilidades terapêuticas, econômicas e de aproveitamento da biodiversidade brasileira, como se depreende dos questionamentos desinformados do Dr. Drauzio.
Assim as críticas construtivas sempre devem ser feitas, de modo a que a sociedade civil mantenha seu papel fiscalizador das atitudes governamentais e também de contribuição, refletindo a visão dos seus membros e aperfeiçoando as políticas setoriais.
Portanto a Febraplame REPUDIA e CONTESTA a forma equivocada e tendenciosa como este tema vem sendo divulgado pelo Dr. Drauzio Varella, Revista Época e programa Fantástico, os quais denigrem o esforço de décadas para que se consiga estabelecer uma adequada política de fitoterápicos no Brasil e em nada contribuem à sua melhoria.
FEBRAPLAME
São Paulo, 6 de outubro de 2010"

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Soja: como usar na nossa alimentação ?

    Para podermos entender a soja como alimento e como fitoterápico (na forma de isoflavonas) devemos primeiro conhecer um pouco da história do seu uso e como ela é plantada e utilizada nos dias atuais. A soja começou a ser consumida como alimento por volta de 1100 a.C. pelos chineses na forma fermentada, e depois essa técnica foi se expandindo para outros países asiáticos como Japão, Indonésia, entre outros. Antes disso ela era usada como alimento para animais e fertilizante para o solo.
   Por que fermentar a soja ? Para diminuir seus antinutrientes: um deles,  o ácido fítico  reduz a absorção de cálcio, ferro, magnésio e zinco. Outras leguminosas como feijão também contém ácido fítico que pode ser parcialmente neutralizado apenas com a fermentação: lembram que nossas avós deixavam o feijão de molho durante a noite ? Pois esse processo é uma forma "modesta" de fermentação .
  Ela contém ainda outras substâncias como os inibidores de protease que interferem na digestão de proteínas que podem ser reduzidas pelo cozimento, fermentação e também pela germinação.


Que soja é essa que comemos hoje ?
     A produção de soja do Brasil em 2009/10 foi estimada em um recorde de 68 milhões de toneladas e é o maior produto agrícola no país. Ela foi introduzida aqui  por volta de 1882, mas foi a partir de 1960 que começou sua plantação mais extensiva.
     Mas a soja que é plantada e colhida hoje não se parece em nada com aquelas antigas (aquelas pois não existe apenas uma espécie, mas várias) pois é praticamente toda ela transgênica e com resíduos excessivos de agrotóxicos. Em razão do estímulo para uma produção em larga escala  sua monocultura avançou sobre os pequenos agricultores, sobre a floresta amazônica e  o cerrado brasileiro, com isso degradando o meio ambiente e consequentemente nossa saúde.


Leite e carne de soja ??????
    Temos à disposição nas prateleiras dos supermercados e farmácias, entre outros,  uma enorme variedade de produtos alimentícios e medicamentos fitoterápicos com soja na sua composição, e cada vez mais vemos esses produtos se multiplicando na mesma proporção do aumento da produção desse grão nas fazendas.
     Isso é realmente bom para nossa saúde ? A quem interessa que aumentemos nosso consumo desse alimento ?
     O fato de que a soja contém antinutrientes  e estar contaminada por agrotóxicos não a condena a ser um alimento ruim para a saúde  pois  podemos usar as cultivadas organicamente para substituir a  transgênica e utilizar técnicas de fermentação, germinação e cozimento para diminuir seus antinutrientes. Mas com certeza  não é um boa como  substituta da carne nem do leite: como todas as  leguminosas ela não contém todos os aminoácidos essenciais para a saúde (falta a metionina), não contém quantidades suficientes de cálcio para ser substituto do leite, nem de ferro para ser substituto de carne.
   A questão mais importante a ser esclarecida é que a  proteína texturizada de soja (PTS)  começou a ser usada para consumo humano (inclusive no oriente) somente a partir da produção de óleo de soja, onde o que resta da extração desse óleo passou a ser usado como imitação de salsichas, leite e queijos.
   Hoje temos vários produtos  que são oferecidos como substitutos de leite e seus derivados, carnes, entre muitos  outros. Na tentativa de equiparar nutricionalmente esses produtos  ao alimento tradicional é necessário complementá-los com cálcio, metionina, ferro, zinco, além de aromatizantes, corantes e outros aditivos para que eles se pareçam com o alimento que tentam imitar.
    Essa invasão de produtos industrializados está vinculada a  propagandas maciças  ao longo de muitos anos com a idéia de serem naturais e benéficos para a saúde pois podem prevenir e curar uma série de doenças, ou seja, uma verdadeira panacéia.
    
Controvérsias sobre os benefícios para a saúde
   Embora algumas pesquisas tenham demonstrado que a soja ou a isoflavona podem melhorar sintomas da menopausa  e, consequentemente, com a regulação hormonal  haveria efeitos benéficos sobre a osteoporose, além de  prevenir vários tipos de câncer, existem outros estudos em que  os resultados foram inconclusivos ou ainda que  mostraram que a quantidade de fitohormônios presentes no grão pode causar câncer de mama, disfunção da tiróide, piorar a osteoporose, além de distúrbios hormonais em crianças e adolescentes.  Países como Israel, França, Suiça, Austrália e Nova Zelândia recomendam que não sejam utilizados "leites de soja" e seus produtos para crianças . No Reino Unido essa recomendação foi feita em 2004 por meio da CMO’s Update.


Então, como usar a soja ?
  A resposta para essa pergunta é o equilíbrio na alimentação.


      Não existe nenhum alimento completo e  todos eles podem ser potencialmente prejudiciais se usados em quantidades  maiores do que o organismo consegue metabolizar.
      Além disso o consumo de  alimentos industrializados deve ser reduzido em uma alimentação equilibrada: para isso o melhor é usar  alimentos in natura ou pouco processados.
      A soja é uma leguminosa como o feijão, a ervilha, lentilha e grão de bico e pode ser utilizada na composição de uma alimentação saudável. Mas como ela contém mais fatores antinutricionais do que as outras leguminosas, o ideal é usá-la fermentada ou germinada.
      A soja como alimento não é um vilão nem um mocinho cheio de super poderes: somente temos de saber o que comprar, como preparar e como consumí-lo para que possamos usufruir de seus benefícios.


      Para saber mais sobre alimentação equilibrada  consultar : http://nutricao.saude.gov.br/nutricao/ no link Como ter uma alimentação saudável ?